EPAMINONDAS NETO da Folha Online
Profissionais do setor financeiro acreditam que o Banco Central vai utilizar a ata da reunião de hoje, divulgada na próxima semana, para sinalizar ao mercado um possível ajuste na taxa básica, mantida em 8,75% ao ano pela quarta vez. Para eles, o Copom (Comitê de Política Monetária) pode mexer na Selic em março, mês da próxima reunião.
Muitos economistas do mercado esperavam que o BC já indicasse "pistas" de que vai começar a mexer na taxa Selic, mostrando preocupação com o aquecimento da economia. Mais detalhes sobre a decisão de hoje serão conhecidos somente na quinta-feira da semana que vem, dia habitual em que as atas das reuniões do Copom são divulgadas.
"É possível que na ata ele já traga algum sinal, algum indicativo de que pode vir novidades na próxima reunião. Eu acredito que em março, o BC já começa a mexer nos juros. Quanto mais cedo ele fizer, mais cedo avalia os efeitos, [e ser for o caso] mais cedo pode corrigir", diz Roberto Kropp, diretor da Daycoval Asset Management.
"Apesar de ter mantido, por unanimidade, a taxa em 8,75% na reunião de hoje, o Copom deverá indicar, já na divulgação da ata, na próxima semana, preocupações nítidas com a tendência de alta da inflação", avalia Walter Machado, presidente do Ibef-SP (Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças), que também acredita em uma alta dos juros no mês de março. Machado aponta "o contínuo aquecimento da demanda" e a elevação das expectativas de inflação no setor financeiro, captadas pelo Banco Central (boletim Focus), entre outros fatores.
No comunicado publicado hoje, o BC se limita a afirmar que vai "acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária".
Em seu comunicado anterior, datado de dezembro de 2009, a autoridade monetária foi um pouco mais prolixa, ao justificar a manutenção da taxa Selic pela terceira vez: "Levando em conta, por um lado, a flexibilização da política monetária implementada desde janeiro e, por outro, a margem de ociosidade remanescente dos fatores produtivos, entre outros fatores, o comitê avalia, neste momento, que esse patamar de taxa básica de juros é consistente com um cenário inflacionário benigno".
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